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Imigração, Inequidade em Saúde e TICs: Uma Reflexão da América Latina e do Caribe

Imigração, Inequidade em Saúde e TICs: Uma Reflexão da América Latina e do Caribe

A globalização da economia mundial tem causado mudanças importantes no fluxo e composição dos movimentos migratórios especialmente os que vem ocorrendo na América Latina e no Caribe (ALC). Enquanto historicamente a região da ALC representava um polo de atração de imigrantes provenientes de diversos continentes do mundo, desde a recuperação econômica da Europa e o estabelecimento das estreitas relações políticas, econômicas e comerciais com os Estados Unidos, se observam mudanças na orientação dos fluxos migratórios, transformando a região da ALC em um lugar de emigração.  Em 2005, a população  latino-americana e caribenha representava 13% da população migrante mundial. 

Na última década esta mudança transcende impactou a composição de gênero da população migrante; a mudança mais notável reside na maior proporção de mulheres que decidem buscar novas opções trabalhistas fora de seu local de origem. De acordo com um estudo realizado pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL, 2003), a participação das mulheres na migração internacional aumentou de 40,7% (1960) para 50.5% (2000). Independentemente destas mudanças serem vinculadas a dimensão da globalização econômica, um fenômeno que se mantém constante são as condições de vulnerabilidade econômica e social de uma importante parcela da população que decide abandonar a região da ALC. Entre os fatores que influem esta vulnerabilidade estão as condições precárias de saúde e a ausência de proteção social desta população. 

Atendendo a este fenômeno cujas dimensões crescem de maneira progressiva, especialmente nos países do Caribe e de baixa renda dentro da região da  ALC,  o projeto eSAC convidou um grupo de professionais interessados  neste tema para participar de um painel virtual aberto, para refletir sobre as seguintes questões: 

  • Quais condições dos imigrantes os fazem um grupo vulnerável? 
  • Quais situações relacionadas com a saúde podem ser abordadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)
  • Quais são os benefícios do uso das TICs para o cuidado à saúde deste grupo populacional?  
  • Quais são os potenciais que as TICs apresentam para a melhoraria da saúde dos imigrantes?

Os conferencistas e a audiência deste painel contribuíram para esclarecer alguns pontos importantes em relação a estas questões. Nos parágrafos seguintes fazemos uma síntese deles. 

As condições de saúde dos imigrantes 

As condições de vida marcadas pela transitoriedade e instabilidade representam fatores de risco para a saúde dos imigrantes. Condições precárias de higiene e de moradia criam perigo de enfermidades infecciosas; a presença de  problemas de hipertensão arterial, obesidade e enfermidades cardiovasculares representam adoecimento comuns neste grupo populacional, mas isto não necessariamente se deve a condição de ser imigrante. Um problema de saúde estreitamente vinculado com as condições de instabilidade social e econômica dos imigrantes está relacionado com a saúde mental que representa um adoecimento frequente entre eles. 

A vulnerabilidade das condições está relacionada com a  falta de acesso regular aos serviços de saúde e a ausência de proteção social por parte de instituições nos lugares de destino dos imigrantes. Um fator agravante é que tanto as enfermidades crônicas como os problemas de saúde mental demandam um cuidado periódico e constante.

A violência, vícios e acidentes,  são outros problemas relevantes de saúde da população imigrante latino-americana e caribenha e apresentam estreito vinculo  com as condições sociais  e a evidente instabilidade dos locais onde os imigrantes residem.

Um fator determinante da vulnerabilidade das condições de saúde dos imigrantes, está relacionado à ausência de uma legislação que ofereça uma proteção social a este grupo da população. Um determinado fator de vulnerabilidade nas condições de saúde dos imigrantes está relacionado com a ausência de legislação que ofereça proteção social a esta população, já que uma larga proporção de imigrantes  entram ilegalmente nos países de destino. 

O potencial das TICs para contribuir para a equidade em saúde dos migrantes

O objetivo da equidade é eliminar as circunstâncias injustas que privam as pessoas de exercício de seus direitos humanos, e não oferecem os mesmo serviços (saúde, educação e outras oportunidades) a toda população. Seu foco é alcançar os pobres e os indivíduos em condições de marginalização.

As TICs apresentam tanto potenciais positivos como negativos para a saúde dos imigrantes. Em condições de equidade, as TICs podem comprometer a segurança na transmissão de mensagens, diminuir a segurança e o armazenamento de dados e abrir vias para o aumento do estigma  e descriminação de certos grupos. Em um espaço de equidade, as TICs podem melhorar o acesso a serviços telefônicos de atendimento a saúde, números de emergência  e a telemedicina. As TICs também podem contribuir para a melhoria de intervenções, tais como a aplicação de questionários sobre saúde, vigilância, promoção da saúde e a sensibilização e apoio das tomadas de decisões.

A relação entre as TICs e a imigração tem sido pouco investigada. Até o momento se observa uma evidente escassez de dados empíricos e métodos rigorosos para analisar as interações entre os processos imigratórios atuais e as TICs. Contudo, tem se identificado estudos interessantes neste tema, como por exemplo o projeto de pesquisa realizado pela University of the West Indies que foca nos imigrantes que retornaram para a Jamaica. Este projeto de pesquisa explora a utilização das TICs e as relaciona com outros determinantes sociais da saúde dos imigrantes como  aspectos educacionais e o conhecimento dessa população sobre saúde. Esta pesquisa seguramente contribuirá para o aumento da informação a respeito na região do Caribe.

A pesar da falta de dados, existem exemplos de projetos na ALC que buscam explorar o uso das TICs para a melhoria das condições de saúde. Um deles é o projeto “Búsqueda Activa, Tamizaje e Intervenciones en Mujeres Desplazadas”  com sede em Bogotá, Colômbia . Este projeto busca estimular o uso das TICs para a promoção da melhoria das condições da saúde mental dos imigrantes deslocados em consequência do conflito interno; fomentar práticas educativas  para a saúde mental; facilitar a detecção de  pessoas na comunidade de imigrantes que sofrem de transtornos mentais e sistematizar informações para impulsar programas de atenção e prevenção.

Conclusão

De acordo com a opinião dos pesquisadores participantes neste painel aberto virtual, existem algumas janelas de oportunidade especialmente para a pesquisa sobre o uso das TICs voltada àsaúde de populações imigrantes. É necessário que as pesquisas contribuam para a definição de estratégias eficazes de prevenção e promoção da saúde.

Ainda que os problemas de saúde não sejam  a causa principal da imigração, uma vez que os imigrantes abandonaram seus locais de origem, esta se transforma em um recurso fundamental ; entre eles se mantem uma auto- percepção  de ser "saudável". O reconhecimento dos fatores de risco das condições de saúde dos imigrantes deveria ser parte de qualquer estratégia de promoção da saúde deste grupo da população.

A melhora da equidade em saúde do imigrante de ser feita através dos sistemas e das inciativas das TICs baseadas na evidência. Enquanto por um lado é importante o emprego de estratégias inovadoras, por outro lado, não há necessidade de "reinventar a roda" . Colaborações e alianças com organizações, grupos de interesse , projetos, etc, com interesses comuns podem criar resultados e impactos positivos mas populações-alvo. 

O eSAC é um projeto que tem como objetivo apoiar e fomentar um diálogo permanente e a reflexão sobre as formas com que as TICs podem ser utilizadas na saúde pública na América Latina e no Caribe, mais além da atenção clínica e individual, centrado na equidade e nos determinantes sociais da saúde, o eSAC é desenvolvido conjuntamente pela Organização Pan-americana de Saúde e a Universidade Toronto, com o financiamento do Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (IDRC). Para maiores informações viste o website: www.esacproject.net  

Apresentações do Painel Aberto do eSAC (29 de Abril, 2014)

• Dr. Rubén Silván, pesquisador internacional sobre imigração México/Honduras
• Dr. Ishtar Govia, Ph.D., Professor de Psicologia, na UWI Mona, Jamaica
• Dr. Luis Hernández, Diretor de estudos em Saúde Pública da Universidad del  Andes. Colômbia

Links

  • PowerPoint das apresentações disponível em: http://en.esacproject.net/esac_database/table/publication 
  • Vídeos no YouTube dos Webinários:  https://www.youtube.com/user/esacproject