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Folha Informativa: Envelhecimento, Informação e Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e Saúde Pública

Folha Informativa: Envelhecimento, Informação e Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e Saúde Pública

Esta folha informativa foi desenvolvida para oferecer uma compreensão básica sobre os potenciais das TICs em apoiar as populações em envelhecimento a alcançar uma melhor saúde.  Em função das pessoas estarem vivem mais tempo no mundo todo, é importante para os países serem mais eficientes no planejamento da saúde. Esta folha informativa busca encorajar a realização de mais pesquisa e intervenções neste tópico, especialmente na América Latina e no Caribe.  A revisão da leitura contou com a leitura de vários artigos especializados acadêmicos e não acadêmicos que apresentavam três palavras chaves: “envelhecimento”, “informação”, “tecnologia” e “saúde pública”.

  • A população com 60 anos ou mais irá triplicar (de 600 milhões para 2 bilhões) entre 2000 e 2050. A maior taxa desse crescimento está ocorrendo nos países menos desenvolvidos (o número de idosos aumentará de 400 milhões em 2000 para 1.7 bilhões até 2050). Segundo os dados da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), a proporção da população de 65 anos ou mais na região passará de 8% em 2000, para 14.1% em 2025 e 22.6% em 2050. De fato, em 2050, estima-se que todos os países da América Latina e Caribe terão uma população de idosos superior a 15%, e perto de 25% ou mais em alguns deles, como Barbados (33,3%), Cuba (35,4 %), Uruguai (24,5%), México (24,4%) e Brasil (24.3%).   
  • O envelhecimento da população está ocorrendo mais rapidamente em países em desenvolvimento em decorrência do rápido declínio da fertilidade e o aumento da expectativa de vida em virtude dos avanços tecnológicos e na medicina. Essas intervenções tem-se mostrado exitosas em tratar e prevenir doenças que causavam muitas mortes prematuras anteriormente. 
  • Pessoas em envelhecimento são particularmente desafiadas pela: deterioração motora, cognitiva e sensorial; doenças crônicas; dificuldade em executar tarefas como tomar banho, vestir-se, preparar as refeições, ir às compras, lazer, etc; e mudanças nas relações sociais. Condições comuns associadas ao envelhecimento incluem demência, doença de Alzheimer, transtorno de ansiedade e depressão.
  • Em função disso há um aumento da carga sobre (em muitos casos) já esgotados serviços públicos de saúde, instalações e orçamento. Em países em desenvolvimento, os problemas de gestão de cuidados crônicos e complexos são agravados pelos aspectos relacionados aos determinantes sociais da saúde ou seja, a pobreza ou a falta de acesso à educação o que dificulta ainda mais o acesso aos cuidados e gestão.
  • Em 2001 a proporção de pessoas na América Latina com mais de 55 anos que utilizavam computador era de 9%;  no México a porcentagem de pessoas com mais de 60 anos de idade que são usuários da internet era de 4% e no Chile, apenas 9% da população com mais de 60 usava telefone celular.
  • Apesar da baixa porcentagem do uso de TICs pelos idosos, alguns resultados mostram que embora o nível de adoção seja baixo comparado com o dos adultos jovens, a evidência do uso de outras tecnologias como filmadoras, televisões, tocadores de DVD, etc., sugere que exista uma adoção embora lenta.
  • Soluções tecnológicas tem o potencial de compensar ou retardar a mudanças na saúde da população em envelhecimento. Há um interesse por parte desse setor da população em utilizar o telefone celular para se comunicar com as pessoas sobre aspectos que envolvam sua saúde: medicações, consultas, entre outros. A opinião sobre as TICs é geralmente positiva quando o assunto é atendimento à saúde e empoderamento do paciente. As TICs podem contribuir para a melhoria do bem-estar daqueles que cuidam dos idosos. Cuidadores informais (geralmente um parente e com menos frequência uma pessoa com requisitos mínimos e paga para cuidá-los) também apresentam necessidades e desafios para contribuir para o bem-estar dos idosos que eles assistem, as TICs apresentam potencial para articular e capacitar os cuidadores nesse aspecto e podem representar uma estratégia de custo efetivo capaz de melhorar a saúde dos idosos.
  • Entre as inovações tecnológicas e a eSaúde voltadas para idosos e seus cuidadores pode-se incluir: ambiente de vida assistido e casas inteligentes, aplicativos baseados em jogos e programas de capacitação, tecnologia assistida, telemedicina, tele-monitoramento, e suporte via internet. 
  • É importante notar que a tecnologia usada não deve corresponder somente às necessidades dos idosos como também ser aceita por eles. Gerontecnologia é definida como a tecnologia que considera as necessidades e os desejos das pessoas ao longo do ciclo de vida. 
  • A pesquisa em eSaúde que foca na segunda metade do ciclo de vida é limitada. É necessário mais trabalho, especialmente na região da América Latina e do Caribe, para aproveitar o potencial que as TICs apresentam em contribuir para a transformação da sociedade e a superação dos desafios recorrentes do envelhecimento rápido da população.
  • Muitas pesquisas realizadas nesta área apresentam um enfoque clínico (focam nos serviços de saúde). Maiores esforços deveriam ser feitos para incluir medidas e estratégias para a promoção de inovações/TICs voltadas para idosos. 
  • TICs tem o potencial de incluir socialmente as populações em envelhecimento, aumentar seu capital social e seu senso de valor dentro da sociedade. As soluções que utilizam as TICs em intervenções voltadas para idosos dependentes ou portadores de deficiências, deveriam contribuir para a participação ativa (envelhecimento ativo) na vida social e para o bem-estar físico e mental dos indivíduos ao logo de suas vidas. Aspectos importantes deste conceito são a autonomia, independência, qualidade de vida, e uma expectativa de vida saudável.
  • A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em Abril de 1995 o programa  envelhecimento e saúde que busca: fortalecer os banco de dados, a disseminação de informações, a advocacia, os programas comunitários, a pesquisa e o desenvolvimento de políticas e treinamentos. 
  • Um banco de dados com informações confiáveis ​​é fundamental para o desenvolvimento de políticas nacionais sobre o envelhecimento saudável, pois contribui para a  conscientização de políticos e tomadores de decisão.
  • Políticas nacionais deveriam contar com os resultados de pesquisas que focam no custo-efetivo das intervenções da saúde pública que visam a melhoria da qualidade de vida das populações em envelhecimento. Estes resultados devem ser extensivamente compartilhados entre os países. 

Bibliografia

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Esta folha informativa foi elaborada por Soroya Julian, Jovem Profissional/ do Projeto eSAC.