Pular navegação
EnglishEspañolPortuguês

Rompendo barreiras de gerações: as TICs e os idosos

Rompendo barreiras de gerações: as TICs e os idosos

Em Outubro de 2012, os meios digitais reportaram o caso de Don Luis (nome fictício, por razão de privacidade), um cidadão de 83 anos com Alzheimer, que se perdeu nas ruas complicadas de uma cidade latino-americana.  Um desaparecimento de horas que se converteu em dias e que fez os filhos e netos do senhor Luís, temendo por sua integridade física em seu bem-estar, iniciarem uma desesperada busca para encontrá-lo.

As tendências demográficas da América Latina e do Caribe sugerem que casos como o do Senhor Luís acontecerão de forma mais frequente a medida que a população da região envelhece. Ainda que a população de idosos na América Latina e no Caribe seja menor que a de outras regiões do mundo, como  a da Europa Oriental e de alguns países asiáticos, é inegável que a estrutura etária da população latino-americana está mudando. Segundo os dados da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), a proporção da população de 65 anos ou mais na região passará de 8% em 2000, para 14.1% em 2025 e 22.6% em 2050. De fato, em 2050, estima-se que todos os países da América Latina e Caribe terão uma população de idosos superior a 15%, e perto de 25% ou mais em alguns deles, como Barbados (33,3%), Cuba (35,4 %), Uruguai (24,5%), México (24,4%) e (24.3%).   Dada essa transição demográfica, os países da região enfrentarão grandes desafios sociais, econômicos, culturais, políticos e éticos.

A área da saúde será uma das áreas que sofrerá maior impacto. Conforme aumenta a idade, aumenta também a demanda por serviços de saúde e é por isso que os países estão explorando novos canais e ferramentas que permitam disponibilizar melhores serviços de prevenção, cuidado e tratamento a este segmento populacional.   E é neste contexto que as tecnologias de informação e comunicação (TICs) entram em cena, oferecendo uma gama de serviços para melhorar o acesso à saúde e a qualidade de vida dos idosos, entre o quais: 

Teleassistência: Serviços para pessoas que não requerem atenção presencial permanente, disponível todo o tempo para atender qualquer crise ou emergência que a pessoa tiver

Acompanhamento de pacientes. Leitura remota dos sinais vitais do paciente de tal forma que se existirem problemas, estes são enviados a equipe da atenção. 

Serviços de informação em saúde. Lembretes de consultas e vacinações, campanhas e outra informação preventiva de saúde

Serviços de geolocalização para pessoas que sofrem de Alzheimer ou demência.

Uso de Wii e outros jogos eletrônicos como parte da terapia para Alzheimer e outras demências. 

Ainda que em menor escala que nos países líderes no tema, como Espanha, já existem vários exemplos de intervenções públicas e privadas dentro de estas categorias na América Latina e no Caribe, particularmente em intervenções relacionadas à telemedicina, ou seja, à teleassistência e ao acompanhamento de pacientes.  Os projetos voltados para a melhoria da saúde dos idosos que vão além da atenção clínica são muito mais escassos na região e por isso representam uma grande oportunidade. 

A experiência de diversas organizações indica que para que os programas desta natureza sejam exitosos, é necessário que se abordem os fatores que limitam o acesso dos idosos às TICs.  Um estudo realizado pelo Programa Sociedad de la Información y el Conocimiento (PROSIC) da Universidad de Costa Rica em 2010 destacou as seguintes barreiras:   

A maioria das pessoas de idade têm níveis educacionais e de escolaridade significativamente menores que o resto da população, fatores que se convertem em barreiras para o acesso às TICs por esta população.

O mercado alvo das novas tecnologias tendem a ser jovens que vivem em áreas urbanas, de alta renda e alto nível educacional e, portanto, os produtos são projetados com base nos gostos, preferências e necessidades deste grupo.

As TICs não têm sido desenvolvidas para serem utilizadas por pessoas de idade.  As limitações físico-motoras,  visuais ou auditivas podem impedir o uso satisfatório de telefones ou computadores (uso de mouse, teclados minúsculos).

Muitas vezes o meio social pode ridicularizar qualquer esforço ou interesse dos idosos pelas TICs 

As TICs muitas vezes criam temor, apreensão e em muitos casos são desprezadas pelos idosos.  

Esta lista de barreiras, que sem dúvida não é exaustiva, evidencia claramente que o grande potencial das TICs para melhorar a saúde dos idosos está fortemente relacionado a fatores sociais, econômicos e culturais, cuja abordagem efetiva repercute diretamente na qualidade de vida deste segmento de cidadãos. As intervenções que buscam ampliar o nível de acesso, conhecimento e segurança no uso das TICs pelos idosos são relativamente comuns na América Latina e no Caribe, ao menos em  projetos voltados à saúde.  A medida que a população latino-americana e caribenha envelhece, o êxito dos programas relacionados às TICs na saúde estará vinculado fortemente à sua capacidade de estabelecer alianças com essas organizações e também de capacitar os cuidadores de idosos para o uso das TICs selecionadas, aproveitando assim a sinergia de uma abordagem multidisciplinar.

Desta forma, as TIC poderão ter um impacto positivo na vida de mais cidadãos idosos incluindo aqueles que padecem de doenças como o Alzheimer, como é o caso de Don Luis. Se pudesse ter sido beneficiado com as intervenções de TIC na saúde, Don Luis poderia ter utilizado um bracelete ou sapatos com GPS incorporado, como já o fazem muitos idosos em outros países, e ao se perder seria enviada uma mensagem ao seu celular com o endereço de sua casa e um alerta a seus familiares com a localização exata de seu ser querido.

O rompimento das barreiras de gerações, o potencial das TICs para a melhorar a qualidade de vida e bem-estar dos idosos é imenso.    

 

Referências:

Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografía (CELADE) (2002). Los Adultos Mayores en América Latina y el Caribe: Datos e Indicadores. Edición Especial con Ocasión de la II Asamblea Mundial de Naciones Unidas sobre el Envejecimiento, Madrid 2002. Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), Santiago de Chile 

 Chackiel, J. (2000) El envejecimiento de la población latinoamericana: ¿hacia una relación de dependencia favorable? Serie Población y Desarrollo, Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), Santiago de Chile 

 Cuevas Cordero, F. (2012) Los Adultos Mayores Tienen Derecho a las TIC, Las TIC a la hora del café / Programa Sociedad de la Información y el Conocimiento (PROSIC), Universidad de Costa Rica, San José, Costa Rica

Video web: Wii Terapia en Alzheimer y otras demencias. Accesado el 08 de diciembre de 2013 y disponible en http://en.esacproject.net/node/2909

Programa Sociedad de la Información y el Conocimiento-PROSIC, (2010),  Hacia la Sociedad de la Información y el Conocimiento en Costa Rica: Los Adultos Mayores y las TIC, Universidad de Costa Rica, San José, Costa Rica

Video web: TICS: Adultos mayores rompen sus temores.  Accesado el 08 de diciembre de 2013 y disponible en http://tvweb.sena.edu.co/video/?t=tics-adultos-mayores-rompen-sus-temores&v=1342