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Tecnologias de informação e comunicação & a resposta da saúde pública aos desastres e as mudanças climáticas na América Latina e no Caribe

Tecnologias de informação e comunicação & a resposta da saúde pública aos desastres e as mudanças climáticas na América Latina e no Caribe

Desastres naturais ocasionados pelas mudanças climáticas são, e continuarão sendo, uma ameaça à saúde na América Latina e no Caribe (AL & C). Essa ameaça crescerá nas próximas décadas, colocando em risco, potencialmente a saúde de 200 milhões de pessoas até 2050, que serão removidas em decorrência do impacto ambiental (Brown citado por McMichael, 2012). Mudanças climáticas são definidas como uma "mudanças no clima atribuídas diretamente ou indiretamente à atividade humana que altera a composição da atmosfera global e que em adição a variabilidade natural do clima é observada sobre longos períodos de tempo (CQNUMC). Mudanças no clima ao longo dos meses, estações, anos ou décadas, afetam fatores de fatores de sobrevivência e estilos de vida como epidemias de doenças (ex. malária, doenças de diarreia, cólera), consumo de alimentos, água e energia, prática de esportes e empregos.

 

O fato que vários países na região são vulneráveis as mudanças climáticas globais nos leva a crer que esse é um problema de desenvolvimento  que afetará as condições socioeconômicas e apresentará desafios para a sobrevivência humana. A saúde das populações, especialmente daquelas que vivem em áreas baixas e áreas costeiras, em pequenas ilhas, nas regiões montanhosas e das populações empobrecidas que vivem no campo e em área urbanas, requerem atenção e preparativos para mitigar os efeitos negativos causados pelas mudanças climáticas.

 

Recentes desastres, como o terremoto ocorrido no Haiti em 2010, mostraram que novas tecnologias como telefones celulares, mapeamento de crises e as redes sociais tem oferecido ferramentas capazes de suprir a lacuna nas informações em saúde, assim como foi evidenciado em recente desastres como o ocorrido no Haiti em 2010. 

 

A internet tornou-se uma importante ferramenta para encontrar vítimas ao centralizar informações sobre pessoas desaparecidas; gerenciar informação sobre os pontos de doação e distribuição de alimentos; e oferecer informação sobre o estado de estradas para as operações de ajuda na reconstrução das áreas atingidas O Google Person Finder foi uma ferramenta utilizada no Haiti e no Chile para encontrar pessoas desaparecidas depois dos terremotos ocorridos. Informações foram disseminadas pelas redes sociais, especialmente pelo Facebook e o Twitter. Hashtags (uma maneira de categorizar posts ou status/atualizações) facilitaram o contato entre grupos e a discussão sobre o desastre. Os grupos e páginas das redes sociais encorajaram doações para a população afetada. Pessoas oriundas de comunidades atingidas, membros da diáspora, e trabalhadores da ajuda humanitária, ao comunicarem por esses meios,  foram capazes de  contribuir para melhorar a saúde e salvar vidas. 

 

Exemplos de uso de tecnologia de informação e  comunicação (TICs) em saúde pública nos desastres  são poucos na América Latina e no Caribe, mas eles existem. Um exemplo foi um projeto de mapeamento inovador chamado Vozes da Juventude –Mapa, onde jovens do Rio de Janeiro realizam um mapeamento digital de áreas vulneráveis de enchentes e deslizamentos em comunidades. O objetivo do projeto foi contribuir para o empoderamento dos jovens ao ensiná-los como mitigar e prevenir os riscos sociais e ambientais relacionados com as mudanças climáticas. Adicionalmente, o projeto contribuiu para fomentar a governança participativa ao criar uma plataforma de diálogo entre os jovens, a comunidade e os representantes governamentais.

 

Pode-se deduzir que as intervenções que focam na redução dos impactos das mudanças climáticas e a sobrevivência em desastres naturais possuem um foco na equidade, embora não explícito, ao buscarem reduzir os impactos negativos sobre as populações mais vulneráveis (Farach & Mejia, 2013). E se essas intervenções ainda incluem o uso das TICs, é possível então  estabelecer uma relação entre equidade, TICs e desastres naturais/mudanças climáticas.

 

 No que se refere aos desastres naturais e às mudanças climáticas, a saúde pública tem centrado suas ações na organização de hospitais e do sistema de saúde em geral para impedir as catástrofes. Não se pode negar que isso é uma necessidade crítica. Contudo, uma das maiores demandas das comunidades locais em toda região é a necessidade de informação. Essa necessidade inclui não somente o acesso à informação sobre prevenção de riscos no nível local, mas também no acesso à informação no nível governamental para o planejamento de estratégias de segurança aos desastres (além dos serviços de atendimento à saúde) voltadas para os grupos vulneráveis.

 

O fluxo de informação por meio de tecnologias como telefones celulares e a internet está crescendo, gerando expectativas nas organizações humanitárias e internacionais, governantes e comunidades locais. Existe um espaço para o estabelecimento de medidas adaptativas como o uso das TICs em saúde pública para diminuir a vulnerabilidade e construir resiliência comunitária e nacional às mudanças climáticas. A cooperação internacional que encoraja o uso eficiente das TICs para a prevenção e gestão de desastres naturais também é importante. A responsabilidade recai sobre os países, e a região como um todo, para uma mudança que vai além de uma resposta clínica e reativa às mudanças climáticas e desastres, e envolva efetivamente as comunidades locais nas respostas do setor saúde por meio das TICs.

 

Referências

 

McMichael, C., Barnett, J. & McMichael, A. (2012). Environmental Health Perspectives. An III Wind? Climate Change, Migration and Health. 120:5, pp 646-654.

Mejía, F. y Farach, N. (2013). Desastres naturales y tecnologías de información y comunicación: una revisión rápida de la literatura académica con enfoque en el cambio climático. http://en.esacproject.net/node/2856 

 

Pan American Health Organization/World Health Organization (2011). Strategy and plan of action on climate change. Resolution CD51.R15. http://www.paho.org/hq/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=20292&Itemid=

 

UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) http://unfccc.int/essential_background/convention/background/items/2536.php